ELLEN: Alguém tem que falar!

Um desabafo num ambiente público pode ser a salvação. Ou não.

Uma mulher, de uma idade avançada, revoltada, decidiu protestar em forma de desabafo numa instituição pública. Presenciei. E o assunto que esta mulher abordava era sobre a saúde pública. Tiro no escuro. “– Mas aqui não tem médico! E não tenho dinheiro suficiente para colocar gasolina no carro para ir até a um hospital de São Paulo”.

Quantas vezes nós, brasileiros, teremos que vivenciar este tipo de cena? Não digo pelo escândalo que a senhora causou naquela tarde ensolarada numa segunda-feira, digo só pelo fato dos nossos governantes esconderem a sujeira debaixo do tapete em Brasília. Ou pior: esconderem a sujeira depositando o dinheiro público em estádios para próxima Copa. Não que o nosso país não necessite de lazer e diversão. Ao contrario: a piada já foi dita e engolida em outros carnavais. Não que eu seja uma pessoa totalmente “antinacional”. Ao contrário: sou brasileira suficiente para enxergar tantos descasos.

O objetivo deste artigo não é ser trágico e muito menos protestante. Só escrevo o que eu vejo. E vejo acontecimentos num país que não deveria ser tão despreparado. É um atraso de vida pensar que num país tropical há tantos descasos. É um atraso de vida pensar que aquela mesma senhora deixava a sua esperança para trás por culpa de falta de médico.

Eu acredito nas mudanças de comportamento, e principalmente nas pessoas que podem fazer a diferença. Mas também não sou ingênua em acreditar em qualquer um.

Se um desabafo ainda pode ser a salvação? Eu ainda tenho as minhas dúvidas.

Por Ellen Visitário


Murilo Boarini

Designer e Tecnólogo em Produção por formação, entusiasta das midias sociais, palmeirense, amante de cinema e boa música.

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