GUTO: "Pra não perder o costume"

Pra começar de uma vez, eu sou o Guto, cantor / compositor /construtor/ produtor / reprodutor / crítico de motel / alpinista de lego / ouvidor de mudos / etc.

Essa é minha primeira coluna para o Zona Livre (Valeu Zoneados).

Pronto. Essa foi minha introdução.

Existe nessa vida uma coisa que nos une. Que nos torna semelhantes em nossas diferenças, que é impossível de fugir.

Nos rodeia como o ar e sem a qual não conseguiríamos viver. Na verdade, ela faz parte de quem nós somos, todos temos isso dentro de nós, na raíz de nosso íntimo.

Se você pensou que eu estou falando do "Amor", se deu mal.

Já existem músicas sertanejas demais desafinando sobre isso.

Se você pensou que eu estou falando de "Sexo", se deu mal, sua mente maliciosa.

Já existem funks demais servindo de trilha sonora para coitos falando disso.

E se você achou que eu estou falando de "Deus", passou tão longe, mas tão longe, que é capaz que até encontre Deus de tão longe que foi (inclusive se encontrá-lo diga-lhe que o churrasco da semana que vem foi adiado).

Estou falando de "Rotina".

Sim, besta né? A boa e velha rotina, da qual todos os terapeutas (sexuais, de casais, etc etc) dizem para você fugir como o dinheiro foge do meu bolso (acredite, é muito rápido).

Tenho 30 anos.

Eu sei, parece 40. Me sinto com 18, então, dane-se.

Nesses 30 anos de passagem pelo orbe terrestre deu pra aprender algumas coisas:

1-Nunca duvidar de uma pessoa quando ela está com fome.

2-A opinião da minha mãe não é parâmetro para medir minha beleza.

3-Não importa onde eu viva, em que época, com quanto dinheiro, com quantas pessoas, depois de um certo tempo, acabo vivendo do mesmo jeito. Rotina.

Por que será que isso acontece?

Será que é só comigo?

Estamos, ou melhor, estarei fadado, a reviver a mesma vida?

Não estaria assim, deixando de aprender, de viver coisas novas, experiências diferentes, perdendo oportunidades de crescimento, por causa de um hábito tão forte que me torna cego, ou preguiçoso, ou um cego preguiçoso para ver todas as novas possibilidades ao meu redor?

Sim.

Talvez isso aconteça.

Mas…e se eu for feliz assim?

Morei até hoje em 9 cidades diferentes, em 2 estados brasileiros, além de uma cidade no exterior (Lisboa, Portugal, Texas).

Percebi que logo que me mudava para uma cidade nova, ou mesmo para uma nova casa, passava por um periodo que chamei de "Encantamento do Turista Abobalhado". Nessa fase tudo era novo. Meu deus, tudo me chamava a atenção. Até uma placa de trânsito diferente das que eu conhecia era suficiente para me chamar a atenção e me lembrar que eu ainda era um alienígena alí.

Geralmente esse período durava de 3 a 4 meses, variando para cima ou para baixo de acordo com a cotação do dolar, a safra da soja e as chuvas do Camboja.

Porém, após a fase "Encantamento do Turista Abobalhado" vinha a "Vale a pena viver de novo".

De repente, o encanto se perdia, tudo era banal. Eu estava acostumado. E passava a ter a mesma rotina que tinha em toda e qualquer cidade onde morava. Em Nova Iorque ou Barrinha. Em Pequim ou Bujumbura. Depois de 4 meses eu acordaria na mesma hora e teria quase que o mesmo dia.

Por um tempo isso me assombrou. Pensei muito no que perdi. No que poderia ter feito de diferente.

Até que percebi que pensar no que havia perdido estava também se tornando parte da minha rotina.

Aí fiquei preocupado.

Quer saber? Daqui pra frente vou parar de me preocupar.

É tanta coisa que falam na nossa cabeça.

Coma isso, não coma aquilo, perca peso, ganhe dinheiro, esqueça o passado, pense no futuro, viva o presente, faça exercício, não fume, não beba, seja bonito, forte, musculoso, tenha um carro do ano, compre a prazo, financie, parcele, pague, divida, reduza, apareça, dance, calcule, aaaaaaaaah.

Talvez a minha rotina, seja a minha melhor amiga.

Talvez ela seja a forma que eu encontrei de me desviar de todas as ordens que o mundo me dá.

A forma que eu encontrei para me sentir confortável no meio de um furacão.

A minha rotina fala por mim mais do que eu poderia falar.

E provavelmente, sobre você também.

Daqui pra frente não vou mais me preocupar com minha rotina.

Deixe ela ser, até que mude.

Quando ela mudar, eu mudo também.

Eu sempre mudo.

Mudar parece que já virou minha rotina.

Via GUTO


Murilo Boarini

Designer e Tecnólogo em Produção por formação, entusiasta das midias sociais, palmeirense, amante de cinema e boa música.

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2 comentários:

  1. Uaaauuuu, inspirador e muito bom. Obrigado pela bela dica e pelo divertimento da leitura ! Sou Caio Mattos, mas não tenho conta do Google para postar com meu perfil rsrsrs

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  2. Muito bom Guto!! Parabéns!! Tania

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