Em sua breve carreira, Janis Joplin parecia estar sempre à beira do precipício da autodestruição. Como Billie Holiday, eram a luta contra o vício em drogas e os relacionamentos apaixonados que faziam seu blues soar tão convincente. Ainda assim, a cantora aparentava estar dando um rumo à sua vida quando entrou no estúdio para gravar Pearl.
Depois de ganhar o disco de ouro, em 1968, por “Cheap Thrills”, ela saiu da Big Brother e reuniu uma banda mais versátil, a Full Tilt Boogie Band. Janis também parecia ter sossegado e estava noiva. Claro, sossegar em termos relativos. A capa do álbum mostrava Joplin com seus companheiros habituais — a bebida e o cigarro.
Pearl é um belo argumento em favor da ideia de que Joplin poderia ter sido não a maior cantora de blues da época, mas a maior cantora - ponto final. No começo do disco, quando a Full Tilt Boogie toma de assalto a faixa “Move Over” e segue com o lamento de “Cry Baby”, JopIin mostra uma impressionante versatilidade vocal, enchendo as palavras de drama e paixão. As modulações de “A Woman Left Lonely” a tornam comparável às grandes divas, como Bessie Smith. Joplin também sabia divertir (basta ouvir “Me And Bobby McGee” e ”Mercedes Benz”).
Na verdade, a melhor faixa do disco não contém uma palavra cantada por Joplin. Ela foi encontrada morta, de overdose de heroína, num quarto de hotel em Hollywood, antes que tivesse posto os vocais em “Buried Alive In The Blues”. Lançado postumamente, Pearl chegou ao topo das paradas e consolidou a lenda da cantora para todo o sempre.
Selo | Columbia
Produção | Paul A. Rothchild
Projeto gráfico | Barry Feinstein
Nacionalidade | EUA
Duração | 34:23
Postado Por Murilo Boarini
Designer e Tecnólogo em Produção por formação, entusiasta das midias sociais, palmeirense, amante de cinema e boa música.

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