Daqueles que faz a gente não querer acordar.
Nele vi uma pilha de deputados mortos.
Alguns sufocados por maços e maços de dinheiro enfiados em suas gargantas até que nenhum sopro de ar fosse capaz de passar por entre aquele dinheiro entalado. Outros tiveram seus globos oculares arrancados por crianças cegas que não puderam ter o tratamento necessário. No lugar dos antigos olhos os nobres deputados ganharam ouro líquido a despejar em suas cavidades oculares.
Senadores também engrandeceram este sonho com suas mortes.
Vi um senador ser picado em exatos 17 milhões de pedaços que foram entregues aos 17 milhões de habitantes de seu estado que puderam levar para casa uma fração de seu representante no senado. Nessa noite, em vários locais do estado, esse Senador foi comido por porcos, foi jogado no lixo, misturado à ração de cachorros, foi queimado e até jogado numa privada suja com a descarga quebrada.
Vi um membro da bancada ruralista ser enterrado vivo por indios e por membros do mst. Seu fascínio por terra era tão grande que ele morreu não por ter sido coberto por toneladas de terra mas morreu de extase, de alegria, morreude felicidade. Terra e mais terra foi a sua vida. Terra e mais terra foi a sua morte. Morreu de alegria demais.
Vi também pregadores religiosos intolerantes e fanáticos sendo pregados em troncos que depois eram atirados em rios poluidos onde já não existisse mais vida que pudessem infernizar.
Vi corruptos sendo escalpelados. Traficantes afogados. Milicianos fuzilados.
Vi fabricantes de armas de todos os tipos, inclusive as de destruição em massa tendo uma amostra de sua própria produção. Um tiro de uma bala, uma borrifada de spray de pimenta na cara, um spray de arma biológica, até finalmente, serem amarrados a um poste que estava na mira de uma ogiva nuclear mirada exclusivamente para eles.
Vi banqueiros sendo fatiados vivos por gangues de cartões de crédito afiadíssimos. Lobbystas de indústrias de cigarro sendo envenenados com sucos de nicotina, alcatrão até que explodissem em cancêr em menos de 1 minuto.
Vi os poderosos da Mídia serem expostos, devassados, colocados nus em praça pública e morrerem de vergonha primeiro, depois de terem seus timpanos explodidos com os decibéis altissimos dos palavrões e ofensas proferidos pelo povo. Surdos e envergonhados, mantinham seus olhos atônitos buscando uma saída mas só viram uma chuva de controles remotos imensa cair do céu e esmagar suas cabeças poderosas agora reduzidas a ossos quebrados, massa encefálica disforme, sangue, controles sansung, sony e pilhas alcalinas banhadas em sangue.
E me vi no meio de tudo isso como se fosse um pássaro, ou melhor, um mosquito da dengue, desses que os prefeitos insistem em cultivar em suas localidades.
E enquanto planava percebi que reconhecia o sangue sujo. O sangue corrupto. O sangue de quem merecia ser morto naquela revolução caótica cujo objetivo não era outro além de raiva e vingança.
E pude assim escolher minhas vitimas.
Em meu vôo da morte infectei, prefeitos, vereadores, secretários de saude municipal, estadual, governadores, ministros, presidentes, diretores de empresas corruptas, banqueiros. Infectei-os com um vírus unico que os fazia ver em suas mentes a pessoa que eles haviam se tornado. Eles viam monstros deformados, criaturas assustadoras, inumanas, a tradução física, na carne do que era a sua alma. E se desesperavam. Em seu desespero buscavam a morte mais rapida para que aquela imagem desaparecesse de suas mentes. Alguns simplesmente rasgavam a si mesmos.
Era um cenário de caos, sangue, corpos desmembrados, gritos, carnificina. Mas principalmente, era um cenário de justiça por que pela primeira vez desde que o primeiro corrupto pisou na Terra que apenas os culpados pagaram pelos seus pecados.
Que os inocentes foram poupados e puderam vingar os inocentes que caíram por todas as eras da humanidade.
As pessoas não queriam a vingança de Deus, na outra vida.
Elas queriam a vingança delas. Agora.
Os corruptos estavam pagando.
Os justos estavam vingando.
Justiça que não está do lado dos justos não pode ter esse nome.
E nesse sonho, nesse dia justiça foi feita.
Eu era um mosquito da morte sobrevoando um justo apocalipse.
Então eu acordei.
Um mosquito me picava.
Perguntei para ele se não poderia trocar de lugar comigo quando esse dia chegasse.
Por GUTO COMPOSITOR
Postado Por Murilo Boarini
Designer e Tecnólogo em Produção por formação, entusiasta das midias sociais, palmeirense, amante de cinema e boa música.

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